Resfriamento em patamar de La Niña segue, mas já tem hora para terminar
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Acompanhe as condições meteorológicas ocorridas em novembro de 2025 no estado do Rio Grande do Sul
Os volumes de precipitação seguiram mais baixos em novembro. Os acumulados variaram entre 40 e 120 mm, na maior parte das regiões. Parte da Zona Sul do Estado teve volumes acumulados abaixo dos 40 mm (Figura 1A). Dentre as regiões arrozeiras, esta vem apresentando os menores acumulados mensais a alguns meses. Com exceção de pequenas áreas, a maior parte do RS ficou com anomalias negativas de precipitação (Figura 1B). Com maiores janelas de tempo seco, a semeadura do arroz avançou no Estado, fechando o mês de novembro com 92% da área semeada.
Figura 1. Mapa da precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B), em mm, no estado do Rio Grande do Sul, durante o mês de novembro de 2025, em relação aos valores da Normal Climatológica, relativa ao período 1991-2020. Fonte de dados: INMET.
Novembro teve pouca chuva e ela ocorreu apenas na primeira quinzena. Outro ponto que chamou a atenção foram as temperaturas, que ficaram a maior parte dos dias abaixo dos valores normais para o mês, ao menos para esses seis locais analisados. E isso ocorreu tanto para as máximas quanto para as mínimas (Figura 2). Bagé teve temperatura mínimas de 5,9°C, no dia 06/11.
Figura 2. Temperaturas do ar máxima e mínima diária (°C) e suas respectivas Normais Climatológicas (°C) relativas ao período 1991-2020 (nas linhas pontilhadas em vermelho e azul) e precipitação pluvial diária (mm) referentes ao mês de novembro de 2025, em seis municípios da Metade Sul do RS, representativos de seis regiões arrozeiras. Fonte de dados: INMET.
Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño - Oscilação Sul) e perspectivas
Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 11 de dezembro de 2025, o sistema acoplado oceano-atmosfera no Oceano Pacífico Equatorial permaneceu consistente com a La Niña. Em novembro, a anomalia mensal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 foi de -0,7°C, sendo o segundo mês com anomalia em limite de La Niña. A região Niño 1+2, esteve com -0,3°C (Figura 3). A anomalia trimestral, referente a Set-Out-Nov/2025, foi de -0,6°C, sendo o primeiro trimestre com anomalia em patamar de La Niña.
Consistente com esse cenário, observou-se, no RS, exatas três semanas (20 dias) sem chuvas. É bem provável que este período de estiagem esteja relacionado ao resfriamento do Oceano Pacífico.
Figura 3. Anomalia da temperatura (°C) da água da Superfície do Mar no mês de novembro de 2025. O retângulo central na imagem mostra a região do Niño3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade de distribuição das chuvas, ou seja, sua regularidade de ocorrência no estado do RS. Fonte: Adaptado de CPTEC.
Na atualização do início de dezembro, a NOAA prevê probabilidade de manutenção do resfriamento no Pacífico em 54% e de 46% para neutralidade, no trimestre Dez/2025, Jan-Fev/2026. Já para o primeiro trimestre de 2026 (Jan-Fev-Mar), a maior probabilidade é para a neutralidade, 68%. Com isso, entende-se que essa La Niña está com os dias contados, se é que ela terá seu desenvolvimento completado. Outro ponto a ser destacado, é que a probabilidade para o desenvolvimento de um El Niño segue, e aumentou de 40 para 47%.
O bolsão de águas subsuperficiais com anomalias negativas tem se mantido desde agosto (Figura 4), sustentando o resfriamento em superfície. Como ele não aumentou de tamanho, nem de magnitude, espera-se que o resfriamento em superfície também siga estável.
Figura 4. Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de setembro a dezembro de 2025. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.
Previsão de Precipitação – trimestre janeiro, fevereiro e março de 2026 no RS
Para este trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica déficit de chuvas para todo o RS, mas, principalmente, para a Metade Oeste. Da mesma forma, o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, também prevê precipitações abaixo da NC para o trimestre em questão. Por sua vez, a previsão do modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) vai no sentido oposto e, aliás, mudou em relação à atualização do mês anterior. No atual prognóstico, a previsão é de que as precipitações fiquem acima da NC em grande parte da Metade Norte, com poucas áreas abaixo da NC. Já para fevereiro, toda a Metade Sul ficaria com precipitações dentro ou acima da NC. E, para março, a tendência é de que as precipitações fiquem dentro da NC (Figura 5). Se esse prognóstico se confirmar, será uma alento para os produtores de soja do RS, que vem passando por safras difíceis nos últimos anos
Figura 5. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para janeiro, fevereiro e março de 2026 no estado do RS. Fonte: adaptado de INMET.
O resfriamento no Oceano Pacífico Equatorial começou antes nesse ano, em outubro mais precisamente, comparado ao ano anterior, que começou em dezembro. Com isso, espera-se que os períodos de deficiência hídrica também comecem mais cedo. E, em parte isso já ocorreu, com as três semanas, praticamente sem chuvas em todo o RS, durante novembro.
Mesmo com as chuvas mais frequentes e até volumosas entre o final de novembro e a primeira quinzena de dezembro, deve-se manter a atenção quanto à períodos de deficiência hídrica nos próximos meses (janeiro, fevereiro e março), pois pontualmente poderá ocorrer. É importante lembrar que as chuvas no período do verão são irregulares (mal distribuídas) e, com isso, pode ocorrer de chover mais em alguns locais, que outros.
Com isso, recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias), como estratégia para melhorar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.